.: O dia que arranquei de vez o baoba

– IMPORTANTE: “Quanta energia, tempo e dedicação não gastei com pessoas que não souberam aproveitar, pela minha pura teimosia de não aceitar que havia escolhido errado?”

Eu cheguei um dia a acreditar que não guardava mágoas.

Mas ontem, ao dormir, me entristeci ao perceber que guardo sim.

Não é uma mágoa comum, não é um rancor reprimido.

Mas é uma pontinha de uma raiz que apodreceu e foi arrancada sem muito cuidado.

Mágoas são como os baobas, sua limpeza deve ser minuciosa a fim de retirar qualquer mínimo vestígio, principalmente as raízes.

Se não quando você menos espera, brota uma plantinha, e como me explicou outrora aquele pequeno de cabelos cor-de-trigo, quando nascem, os baobas, podem ser facilmente confundidos com rosas. E isso pode ser o fim de um pequeno mundo.

Minhas mágoas não são reflexos de atos de pessoas que me machucaram, creio que seja mais uma mágoa pessoal.

Algo meu, uma mágoa minha e de mim.

Não é de traição, nem de decepção, nem de abandono, de projeto mal sucedido, nem de nenhuma dessas coisas que possam causar mágoa a qualquer ser comum.

O que me chateia é ver que tantas e tantas vezes, me pus de lado, em pro de pessoas que julguei precisarem de atenção.

Que tantas e tantas vezes, fingi ser o que não era e querer o que não queria, pra tentar ajudar pessoas fracas se sentirem mais fortes por eu estar ao lado delas, sendo o que elas eram e querendo o que elas queriam.

Que tantas e tantas vezes, larguei tudo pra estender uma mão e que mesmo depois de todo e qualquer desagradecimento continuo me importando com pessoas que simplesmente não se importam.

Meu ressentimento, não é com e por essas pessoas.

É por mim… então antes de dormir, me perguntei com o fio de voz que me restava entre um pensamento e o sono que sentia.

Que necessidade é essa de mudar a vida de pessoas que não querem ter a vida mudada?

Que necessidade é essa de marcar a vida de pessoas que não se permitem viver nada?

Que necessidade é essa de querer ser alguém importante pra pessoas que classificam pessoas e coisas no mesmo patamar?

Que necessidade é essa de ser alguém pra alguém que vive presa(o) numa casa de espelhos, assolada por medos?

A fim de retirar aquela ponta de baoba que insiste em crescer, tive uma longa conversa com ele para que não voltasse, e juntos decidimos que a partir de então, não mais insistirei como antes.

Só ajudarei a mudar quem quiser, só tentarei marcar quem permitir, só tentarei ser importante pra quem tiver o mínimo de senso de saber que pessoas não são coisas. E que viver só olhando seu reflexo em tudo e em todos é viver preso numa caixa de espelhos.

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