/ 4 de setembro

Seu corpo imóvel no chão.

Ela é apenas consciência. Aos olhos do mundo loucura.

Algo pulsa dentro dela, e pela primeira vez reconhece seu coração.

Sente pela primeira vez o sangue correndo nas veias.

Os olhos se abrem, sente o gosto da própria boca. A secura das mãos batidas na terra.

Comunhão.

Agora, de pés  firmes no chão.

Ela segue sempre em frente porque nada ficou para trás, tudo lhe pertence da forma mais íntima possível.

Tudo é ela e como ela, só existe no presente.

Não há nada a que se apegar, então não há nada para ser perdido ou roubado. Nem o que temer.

Ela não acredita em um Deus, acredita apenas nas pessoas e em suas atitudes.

E elas são tudo o que importa.

‘É preciso cuidar das pessoas, é preciso cuidar de si. Cada um é responsável pelo que come, pelo que cria e pelo que colhe’

Camila respirou fundo, olhou o horizonte, deu dois passos pra trás e correu. Correu descalça,correu como nunca.

Até cair estatelada diante de uma imagem sem vida.

Era uma menina fantasiada de mulher, endurecida pela tradição, congelada pelo medo de arriscar e tão perdida quanto ela antes de se permitir viver. Jogando sempre a responsabilidade nas costas dos outros.

Sendo apenas o DEPOIS, sendo apenas reticências…

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