.: Apontar

Levantar, tomar café com leite e pão na chapa no café da manhã, pegar um onibus, dois ou quem sabe entrar num carro comprado à 36 prestações.

Bater o ponto, trabalhar pra pagar as prestações do carro ou do cartão de crédito, que seja, almoçar, trabalhar mais um pouco, aguentar desaforo, ou pior, distribuir desaforos a pessoas que não tem nada a ver com seu mau humor e suas péssimas escolhas de vida.

Culpar o outro. Afinal, se a culpa é sua, você põe em quem quiser, não é mesmo?

Voltar pra casa, tomar um banho, jantar uma comida escolhida por você e dormir numa cama quentinha, talvez até ver um pouco de televisão antes ou reclamar um pouco e apoiar ‘causas’, nas redes sociais. Do preço do tomate à redução da maioridade penal, fato importantíssimo pra garantir a sua segurança e a de toda a sociedade, não é mesmo?

Agora, volte.

Imagina que ao invés de café com leite e pão na chapa, você tivesse que pegar um ônibus, um trêm e um metro, não pra trabalhar, mas pra procurar emprego, com o estomago vazio. Sinta o gosto de cada ‘não estamos contratando’,de cada ‘obrigada qualquer coisa entramos em contato’, ou ‘você não tem o perfil da vaga’.

Pense no longo caminho de volta pra casa, na fome, em mais um dia perdido, e finalmente sua casa, um jantar simples, mas carinhosamente preparado pela sua mãe, esposa, ou irmã.

Agora, volte de novo.

Imagine que você não tem hora pra acordar, porque você não tem emprego, não tem casa, não tem comida, as vezes parece que não tem nem si quer nome, quem sabe nem um rosto.

E talvez por isso não consiga dormir. Imagine que talvez você sinta medo de dormir na calçada na calada da noite e que qualquer barulho te deixe em prontidão.

Ou como é frustrante ouvir das pessoas que você não quer arranjar emprego, quando a primeira coisa que perguntam na entrevista é onde você mora.

Comece a pensar nas tantas possibilidades que lhe foram negadas, e ainda no que te levou a chegar a essa situação.

Agora sim, você está um pouco mais próximo do que é se colocar no lugar do outro.

E mesmo assim, você não tem o direito de julgá-lo.

É muito fácil apontar o dedo. É muito comodo falar das culpas e danos dos outros pra negar os próprios defeitos, os próprios enganos e demônios.

 

 

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