.: Brasil

“O proletariado tem como única arma, na sua luta pelo poder, a organização.” Lênin

Estou desde ontem tentando escrever um texto que resuma meu sentimento em relação à manifestação de ontem.
É difícil dizer porque na verdade a maioria não sabe ao certo o que está acontecendo. Se manifestar, sair as ruas, exigir seus direitos é algo novo para a maior parte da população.

Mas acho importante discutir alguns pontos.

O ódio à bandeiras é a maior das causas??
Eu entendo o desanimo do brasileiro com os partidos políticos, até compartilho dele.
Entendo que a presença dos partidos no movimento, com bandeiras e camisetas soa um tanto quanto oportunista. Mas, até que ponto isso passa por cima das causas? O que leva esse ódio por partidos ser estendidos à movimentos sociais como os sem teto?
Até que ponto a bandeira é maior que as atitudes desses militantes dentro do movimento?

Apartidarismo não é anti-partidarismo. São coisas diferentes e dentro de um movimento democrático todas as forças em prol de uma causa devem ter voz.

Na verdade o sair às ruas deveria ser resultado de um amadurecimento político do povo e assim sendo, perceber os partidos que se aproveitam do movimento pra fazer politicagem já seria o suficiente pra não dar voz aos aproveitadores.

O problema é que esse movimento de ir pras ruas se dá em boa parte por um descontentamento geral com as políticas públicas e o modelo de governo.

Será que não corremos o risco de perpetuar o “xingamuitonotwitter” agora nas ruas?

Direito de expressão, assim como mostrar o descontentamento é fundamental. Mas é preciso evoluir para um outro nível, é necessário mostrar que se tem propriedade do que se está reivindicando, para que a discussão saia das ruas e ganhe as assembleias, audiências,comissões, de forma clara. Inclusive pra não dar espaço para comentários como “Não entendemos direito o que estão querendo, estamos tentando entender”

Porque uma coisa é fato, cidadania está para sair as ruas, da mesma forma que cantar o hino nacional está para o patriotismo.
O buraco é MUITO mais embaixo.

Do que adianta se manifestar, queimar bandeiras de partidos e quando uma audiência pública é convocada os únicos que comparecem são os movimentos sociais e partidos políticos?

É preciso realmente sair do Facebook, e quando falo isso, me refiro a deixar de ter as atitudes que a maioria tem nas redes sociais.

Compartilhar informações, as quais nem si quer se conferiu as fontes, se leu, se sabe, se entende e que geralmente contem dados errados, na rede ou nas ruas, não vai resolver nada.

Quero deixar claro, que continuo achando incrível o que está acontecendo. Devemos ocupar cada vez mais as ruas, mas é extremamente necessário que esse movimento de ocupação do espaço público sirva também para a construção de uma real cidadania, de uma real conscientização política.

É necessário se organizar. Criar esses espaços de debates e deixar de lado picuinhas de posicionamentos pessoais. Quando o povo vai pra rua isso ultrapassa, ou pelo menos deveria, o âmbito pessoal. É o coletivo que está em questão. É garantir que todos tenham os mesmos direitos e deveres, independente das condições e posições socioeconômicas e religiosas de cada um.

Pra talvez um dia, sim, o Brasil se tornar um país de todos.

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